sexta-feira, 4 de abril de 2014

FORTALEZA, LUGAR BOM PARA CORRER E PASSEAR


Fortaleza, lugar bom para correr e passear

Texto veiculado em meu blog no Jornal Corrida: 04/04/2014.
fortaleza - eu e Lia
FORTALEZA é sem sombra de dúvidas uma das mais bonitas e acolhedoras capitais do Nordeste. A primeira vez que a visitei foi no ano de 1962, quando participei de uma excursão para comemorar a conclusão do Curso Ginasial. Sendo sede do Banco do Nordeste, instituição da qual me tornei funcionário em 1965, cinco anos depois fui fazer um curso com a duração de três meses , de modo que passei a gostar muito da cidade.
Até então residia na cidade de Simão Dias (Sergipe) mas quis o destino que em 1972 eu fosse transferido para a cidade de Sobral, Ceará, distante 250 km, mas que me possibilitava ir à capital cearense com alguma frequência. Em 1974 retornei ao meu torrão natal, o estado de Sergipe, mas em virtude da função gerencial que exercia no banco, tinha oportunidade de viajar para lá pelo menos duas vezes por ano.
Assim, minha ligação com essa cidade é de longas datas e depois de correr a São Silvestre e participar da Corrida Cidade de Aracaju, meu sonho era correr em Fortaleza, a cidade que adotei como uma das mais queridas.
Esse sonho foi realizado dia 30 de março último, quando fiz os 10 km do Circuito das Estações, etapa Fortaleza. Para minha alegria, na prova tive a companhia da amiga Lia Campos (na foto acima comigo), corredora e blogueira que conheci virtualmente através do Jornal Corrida, mas esta já foi a terceira vez que nos encontramos, sendo duas em Fortaleza e uma em Salvador.
A corrida para mim é o esporte que além de contribuir para manter minha saúde, me possibilita conhecer pessoas maravilhosas e que admiro muito, como é o caso de Lia e tantas outras por esse Brasil a fora.
Nos três dias que antecederam a corrida (27, 28 e 29) treinei prazerosamente na Av. Beira Mar, point dos corredores da cidade e que oferece ótimas condições para a prática do esporte. A avenida é sinalizada com cones numa extensão de 3 km, formando uma pista para ciclismo e corrida, de modo que os cearenses estão de parabéns, pelo incentivo que recebem.
Além dessa pista, a beira mar conta ainda com um longo calçadão, bastante largo e bem conservado, onde se misturam pessoas de todas as idades, umas caminhando e outras correndo, num bonito cenário.
O Circuito das Estações é uma festa e a beleza de Fortaleza contribuiu para que o seu brilho fosse ainda maior. Até São Pedro ajudou e mandou uma chuva de pequena intensidade, que serviu para amenizar o forte calor que fazia.
Corri descontraído, feliz e tive oportunidade de conhecer corredores que Lia me apresentou, como foi o caso de Manoel Djacir Braga, cujo maior prazer, além da corrida, é “tirar retrato” da “galera”. Outro que me foi apresentado e inclusive corremos juntos boa parte da prova, foi Raimundo Alberto CORDEIRO Vinhas, igualmente corredor da terceira idade na categoria 70/75, que esbanja vitalidade e serve de exemplo, já tendo sido personagem de várias matérias nos órgãos da imprensa local.
Naturalmente, fiz uma prova sem nenhuma preocupação em “bater tempo”, fazendo fotos e apenas desfrutando do prazer de correr , que tanto gosto.
Até breve…

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

CORRIDA SAGRADA, OBRIGADO SENHOR DO BONFIM

MATÉRIA VEICULADA EM MEU BLOG NO JORNAL CORRIDA, EM 27/01/2014




Corrida sagrada, obrigado Senhor do Bonfim!

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O CALENDÁRIO de corridas de rua na Bahia começa oficialmente na 2ª quinta-feira após o Dia de Reis, que é comemorado pelos católicos no dia 06 de janeiro, quando é realizada a tradicional festa da Lavagem do Bonfim e a Corrida Sagrada abre as festividades.
Saindo da Conceição da Praia, o percurso tem aproximadamente 6.8 km até a chegada à Colina Sagrada do Senhor do Bonfim – apesar dos caminhantes insistirem em dizer que são 8 km e alardearem que “quem tem fé, vai a pé”, exagerando no grau de dificuldade que a empreitada oferece.
Tradição mantida há mais de dois séculos, a Lavagem do Bonfim, que foi tombada pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Imaterial Nacional, é marcada pela forte presença do sincretismo religioso entre o catolicismo e o candomblé. Devotos do Senhor Bom Jesus do Bonfim e Oxalá se reúnem para festejar, prestar homenagens e pagar promessas no cortejo em direção à Colina Sagrada. Além do contexto religioso, a Lavagem do Bonfim também é caracterizada pela grande festa que acompanha e circunda o trajeto de fé.
Este ano a Lavagem do Bonfim teve uma caminhada católica, que também antecedeu o cortejo das baianas e foi batizada de “Lavagem de Corpo e Alma”, cujo objetivo foi resgatar a dimensão da piedade popular e penitencial da caminhada até a Igreja do Bonfim.
Até 2009 participei várias vezes da Festa da Lavagem, fazendo o percurso caminhando, fumando, bebendo litros de cerveja e comendo “churrasco de gato” (feito de carne de procedência duvidosa), quando demorava mais de duas horas para chegar, “morrendo” de cansado.
Nunca imaginei que um dia poderia fazê-lo correndo e chegar abaixo de 40 minutos, sem praticamente sentir nenhum cansaço, o que considero um verdadeiro “milagre” do Senhor do Bonfim. Participo todos os anos para agradecer a benção que me foi concedida e que para mim já se caracteriza como um “pagamento de promessa”.
Foi nessa prova que estreei no mundo das corridas em janeiro de 2010 e não é sem razão que a mesma é muito especial. Este ano foi a minha 5ª vez (abaixo fotos na sequência da minha participação de 2010 a 2014) e teve um sabor ainda mais marcante: foi a primeira disputando em minha nova categoria (70/74 anos). Exatamente por ser uma estreia, decidi tentar uma “classificação honrosa” para ficar registrada em meu currículo.
corrida sagrada
Já declarei em outras oportunidades que prefiro correr relaxado, me divertindo e sem preocupação em “fazer tempo”, mas também não posso negar que é prazeroso chegar entre os primeiros.
Assim, fiz uma corrida praticamente no meu limite, ou seja, num “pace” abaixo de 6 minutos o km e o resultado para mim foi satisfatório.
Durante o trajeto vi apenas um de meus principais “adversários” direto, o qual me ultrapassou na altura do 2º km. Ainda pensei em tentar acompanha-lo e o fiz por algum tempo, mas concluí que seria muito difícil e preferi manter meu ritmo. Ele chegou 40 segundos na minha frente!
Meu tempo oficial foi de 00:39:24min e fui classificado em 2º/6 lugar em minha categoria e 252º/439 na classificação geral masculino, meu melhor desempenho em todas as participações.
Para conseguir esse feito, naturalmente precisei treinar bastante e não relaxei sequer no período das festividades de fim e começo de ano, de modo que só no período de 01 a 14/01, corri mais de 100 km.  Fica mais uma vez comprovado que quando a gente treina com determinação e disciplina, os resultados aparecem!
Até breve….

José Amâncio Neto - Bancário aposentado de Salvador (BA), começou a correr em 2009 para manter a saúde e fazer novos amigos. Além deste blog, é autor do blog Corredor da Terceira Idade. Fale com o José Amâncio:TWITTER ou FACEBOOK - 

sábado, 25 de janeiro de 2014

A CORRIDA MUDOU MINHA VIDA

Correr é bom para a saúde e pode mudar a sua vida como mudou a minha. Quem pode andar pode correr. É só uma questão de treino e, sobretudo, vontade.


Toda pessoa que não tem costume de correr diz que não o faz porque cansa logo. É óbvio. Quem não é treinado, independente da idade, cansa com qualquer corridinha de 50 metros. O que faz a diferença é o treino.



Há alguns anos, eu costumava me reunir com meus amigos para "jogar conversa fora", beber e comer. Era muito bom! Atualmente eu continuo me reunindo com meus amigos, só que é às 5h30 da manhã, para treinar corrida. É muito melhor!



Minha vida mudou radicalmente. Antes meu peso corporal era acima dos três dígitos. Hoje é menos de 80 kg. Meus índices de colesterol, triglicérides, glicemia, ácido úrico eram altíssimos. Atualmente são normais.



Não há dúvida que tem uma grande diferença, mas o que aconteceu foi que "troquei o vício da bebida, pelo prazer da corrida. Uma troca excepcional.



Comecei a correr após completar 65 anos de idade. Cinco anos depois, o que parecia impossível se tornou uma realidade e me tornei um atleta amador, já participei de 52 provas oficiais, sendo uma de 25 km, quatro meias maratonas, a São Silvestre e as demais de menores percursos (5, 6, 7, 8, 10 e 15 km).



Sempre procuro transmitir meu exemplo para os mais jovens porque acredito que faz sentido. Corrida é o esporte que mais tem crescido no país. Correr é simples, barato e pode ser praticado por qualquer pessoa.



É a ciência que diz: a pessoa dorme melhor, perde peso, afasta as doenças e fica mais esperta. Então, o que você está esperando?


Texto veiculado na edição Número 13, impressa (setembro 2013), do http://www.jornalcorrida.com.br/runbrasil/category/destaques/colunistas/correr-nao-tem-idade/

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

MATÉRIA VEICULADA NO "JORNAL CORRIDA"

http://www.jornalcorrida.com.br/runbrasil/2013/12/corrida-e-perda-de-peso-%E2%80%93-por-jose-amancio/

Corrida e perda de peso

Eu 2 (2)
FIM DE ANO chegando e entre as coisas que muita gente gostaria de conseguir nos próximos 365 dias, certamente perder peso é uma delas.
Não é tarefa fácil, mas perfeitamente possível. Não é como ganhar na loteria, conseguir um emprego com alto salário ou mesmo um casamento! É algo que só depende da própria pessoa e se resume basicamente em comer menos e fazer algum tipo de atividade física, de preferência CORRER.
O primeiro passo é QUERER e o segundo é AGIR. Trata-se de algo que ninguém vai poder fazer por você, então só tem uma alternativa: FAÇA.
A Campanha dos Devotos da Mãe Aparecida preconiza: se foi bom para você, pode ser bom para outros. Então eu posso dizer: EU CONSEGUI EMAGRECER e foi muito bom para mim.
O Projeto Carcará by FFF me ajudou muito. Pode ajudar você também. Eu cheguei aos três dígitos, mas com um pequeno regime e reeducação alimentar, consegui baixar para 82 kg. Já estava muito bom,  mas eu queria um pouco menos. Foi então que entrei no citado Projeto e estabeleci como meta um sub-80, fazendo correlação com os termos usados por corredores – sub-60 nos 10 km, sub-30 nos 5 km. etc. Não é que funcionou!
Entrei no Projeto em 15 de abril, quando estava pesando 84 kg. A meta estabelecida foi sub-80 kg em 100 dias. Antes do prazo, comemorei algo que não me acontecia há mais de 30 anos. Foi uma grande alegria.
Uma das coisas mais difíceis para quem emagrece é conseguir manter. Foi através da corrida que eu consegui. Faço metas simples, com reduzir alguns centímetros na cintura ou vestir uma calça alguns números abaixo. Tem dado certo. Eu que vestia calça 52, atualmente visto 44 e minha cintura que era de 115 cm, agora é 94 cm. Tudo isso eu consegui aos poucos e correndo muito!!!
Depois estabeleci uma meta de sub-77 para 31 de dezembro de 2013, mas o fiz sem muita convicção e ainda não atingi (estou com 78), mas é certo que serviu muito para me motivar e não me deixar perder o sub-80. Minha meta para 2014, quando, se Deus quiser, completarei 70 anos, é 75 kg. Vamos que vamos…
Até breve…

ENTREVISTA VEICULADA NO BLOG "CORRIDA DE PESO"



Correndo na melhor idade

Correndo na melhor idade

Idade: 69 anos (Nascimento: 28/04/1944)
Quando e como a corrida entrou na sua vida?
Em setembro de 2009, aos 65 anos. Após haver parado de beber em 11/10/2008 eu intensifiquei minhas atividades físicas. Já fazia regularmente caminhadas e passei a fazer também hidroginástica. Certo dia vi um amigo correndo e pensei: se ele, que bebe e é tão gordo quanto eu pode, eu também posso. Assim, ingressei num Clube de Corrida e foi amor à primeira vista. Já participei de 51 corridas oficiais, sendo uma de 25 km, 04 meias maratonas, uma São Silvestre e várias de menores distâncias (confira em meu blog: http://corredordaterceiraidade.blogspot.com.br/ )
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Por que correr?
Correr faz bem para a saúde e pode mudar sua vida, como mudou a minha, para melhor, é claro.
Qual foi seu maior desafio?
30ª Corrida Cidade de Aracaju, no dia 17/03/2013. Foram 25 km da cidade de São Cristóvão para Aracaju, num percurso com 17 ladeiras, o qual fiz em 3h20m. Veja o texto que escrevi para o meu blog no Jornal Corrida –
http://www.jornalcorrida.com.br/runbrasil/?p=4377
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Seu próximo objetivo?
Meu próximo objetivo é treinar para uma maratona. Não sei ainda se vou ter coragem de fazer, mas vou começar a treinar a partir de janeiro de 2014.
Manda um recado para quem está começando no mundo das corridas e o que a corrida significa pra você?
Corrida é o esporte que mais tem crescido no país. Correr é simples, barato e pode ser praticado por qualquer pessoa. Quem pode andar pode correr. É a ciência que diz: a pessoa dorme melhor, perde peso, afasta as doenças e fica mais esperto. Então, o que você está esperando?
Para saber mais a meu respeito veja o texto veiculado em meu outro blog, escrito quando completei 69 anos de idade:
http://joseamancioneto.blogspot.com.br/2013/04/envelhecendo-com-saude-e-alegria.html

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

DR. DRÁUZIO VARELLA - UM SER HUMANO EXCEPCIONAL

Sou admirador do Dr. Dráuzio Varella, um ser humano excepcional. Não sei como ele encontra tempo para produzir tanto. É simplesmente fantástico. Não obstante a vida corrida que leva, ainda encontra tempo para  CORRER! - literalmente!

Dentre os artigos que escreveu sobre corrida, transcrevo abaixo o que achei mais interessante, ao qual ele deu o título: EU CORRO!

"Eu Corro
Drauzio Varella
70 - anos
médico
Quando eu estava prestes a completar 50 anos, um amigo me disse que naquela idade começava a decadência. Então resolvi fazer alguma coisa legal para comemorar a data e tive a ideia de fazer uma maratona. Já comecei a correr pensando nos 42 km.
Pouco tempo depois, outro amigo me passou um programa de treinos e fui seguindo como podia. No fim daquele ano, corri a Maratona de Nova York em 4h01. Isso foi em 1993, e desde então já participei dessa prova mais umas sete ou oito vezes. Também já corri em Chicago, Berlim e Joinville — meu melhor tempo é de 3h38, em 1994, em Nova York.

A maratona é minha distância preferida. Ninguém corre 42 km sem estar preparado, todo mundo ali sabe o que está fazendo, então existe muito mais respeito. Já participei de alguns revezamentos e provas menores, mas não gostei. Também fiz a São Silvestre e detestei, achei uma bagunça.

Treino duas vezes por semana no Parque do Ibirapuera e nos fins de semana procuro correr no Minhocão ou no centro da cidade. Aí vario os trajetos: passeio pela praça da Sé, largo de São Bento, Mercado Municipal. Cada treino varia entre 15 e 25 km, depende de quanto tempo tenho.

Também subo os 16 andares do meu prédio duas vezes por semana. Vou pelas escadas e desço pelo elevador, onde aproveito para ir me alongando. Repito isso entre oito e dez vezes. É puxado, mas me dá um fôlego danado e com certeza me ajuda a correr melhor.

Se as pessoas fizessem mais exercício, ficar parado seria menos penoso para o corpo. Quando você é sedentário, você se levanta e logo tem que se sentar de novo — e aquilo não te descansa. Quando você corre bastante e senta, é uma sensação muito boa.

Sempre levo meu tênis quando vou viajar. Tem coisa mais gostosa do em um dia de congresso você se levantar cedinho para treinar? Corro 2 horas e depois passo o resto dia sentado, sem culpa, ouvindo as pessoas falarem sobre os assuntos de que eu mais gosto. É uma delícia.

Para mim, a corrida é um antidepressivo maravilhoso. Sou muito agitado, faço muitas coisas e a corrida também me ajuda a relaxar. É o momento em que fico em contato comigo mesmo, vejo minhas limitações, e isso me deixa mais com o pé no chão. Por isso não corro ouvindo música e prefiro treinar sozinho.

No ano passado, fiz a Maratona de Berlim em 4h12. Depois pensei que se tivesse feito 2 minutos a menos teria me qualificado para Boston. Não quero estabelecer essa meta porque tenho medo de me frustrar, mas, se este ano eu conseguir fazer uma maratona em menos de 4h10, posso comemorar os 70 anos correndo em Boston.

Não tenho nenhum cuidado especial com alimentação. Antes do treino, bebo uma água de coco ou como uma fruta. Depois tomo café com leite e como pão, azeite e tomate. Não estou convencido de que existe um benefício real nesses géis e vitaminas, aminoácidos. Durante a maratona só bebo água, não tomo nem isotônico. Como cortei açúcar da minha alimentação há 34 anos, tenho medo de ficar enjoado e passar mal.

O exercício só é bom quando ele termina. Durante, é sofrimento. Às vezes você até libera uma endorfina no meio e dá uma sensação boa, mas o prazer mesmo vem quando você acaba.

Quem faz atividade física tem um envelhecimento muito mais saudável. Tenho quase 70 e não tomo nenhum remédio, peso 3 kg a mais do que na época da faculdade. As pessoas dizem: “Você é magro, hein? Que sorte!” Não é sorte, tenho que suar a camisa todos os dias.

Eu corro porque estou convencido de que o exercício físico é contra a natureza humana. Precisamos combater essa inércia. Nenhum animal desperdiça energia, ele gasta sua força para ir atrás de comida e de sexo ou para fugir de um predador. Com essas três necessidades satisfeitas, ele deita e fica quieto. Vá a um zoológico para ver se você encontra uma onça correndo à toa. Ou um gorila se exercitando na barra. Por isso é tão difícil para a maioria das pessoas fazer atividades físicas.

Um exemplo disso são meus pacientes. A grande maioria são mulheres com câncer de mama. Muitas passam por quimioterapia, perdem o cabelo, têm enjoos, fazem cirurgia para retirar parte do seio. E enfrentam esse processo com tanta coragem que fico até emocionado. Depois disso tudo, falo para elas que, se caminharem 40 minutos por dia, cortam pela metade a chance de morrer de câncer de mama. Esse índice é maior do que o da quimio, mas menos de 1% das minhas pacientes começam a fazer exercício. Vai contra a natureza humana.

Muita gente fala que não tem tempo de fazer exercícios. Dizem que acordam muito cedo para levar os filhos à escola, que trabalham demais, que têm que cuidar da casa. Antes eu até ficava com compaixão, mas hoje eu digo: isso é problema seu. Ninguém vai resolver esse problema para você.

Você acha que eu tenho vontade de levantar cedo para correr? Não tenho, mas encaro como um trabalho. Se seu chefe disser que a empresa vai começar um projeto novo e precisa que você esteja lá às 5h30, você vai estar lá. Você vai se virar, mudar sua rotina e dar um jeito. Por que com exercício não pode ser assim?

Nós temos a tendência de jogar a responsabilidade sobre a nossa saúde nos outros. Em Deus, na cidade, na poluição, no trânsito, no estresse. Cada um de nós tem que se responsabilizar pelo próprio bem-estar e encontrar tempo para cuidar do corpo. É uma questão de prioridades.

Se você não consegue fazer exercício de jeito nenhum, pelo menos tem que ter consciência de que está vivendo errado, que não está levando em consideração a coisa mais importante que você tem, que é o seu corpo."

“Este ano pretendo correr as maratonas do Rio e de Chicago. Se fizer abaixo de 4h10, me qualifico para Boston”

D + !!!!



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

50 PROVAS, 5 ANOS SEM BEBIDA

Matéria veiculada em meu blog no Jornal Corrida, em 21/10/2013.

50 provas, 5 anos sem bebidas

Meia Faral a Farol - miolo
APÓS participar da IV MEIA MARATONA IGUATEMI FAROL A FAROL, no dia 13 de outubro de 2013, completei um total de 50 corridas oficiais, que começou com a Corrida Sagrada, no dia 24 de janeiro de 2010.
Na mesma semana, no dia 11 de outubro de 2013, completei exatos cinco anos parei de ingerir bebidas alcoólicas. Comemoro isso diariamente e agradeço a Deus a benção que me foi concedida, permitindo-me encontrar na prática da corrida de rua uma forma de esquecer completamente um vício tão pernicioso para a saúde.
A Meia Maratona Iguatemi Farol a Farol é toda realizada na maravilhosa orla da cidade de Salvador, um percurso muito prazeroso para o corredor, que durante todo o trajeto desfruta de um visual muito agradável, portanto ideal para celebrar essas efemérides tão importantes em minha vida.
Como já havia participado da edição do ano passado, conheço muito bem o percurso, me senti completamente à vontade e seguro de fazer uma prova com tranquilidade e as condições climáticas do dia estavam extremamente favoráveis.
A largada ocorreu às 7 horas e, para alegria de todos, a temperatura estava bem amena, inclusive caiu uma leve chuva. Melhor não poderia ser. O astro rei resolveu cooperar. Salvador é assim!
Fiz um planejamento de iniciar num ritmo bastante leve, próximo de 8 minutos o km e só aumentar quando estivesse bem aquecido. Assim foi, de modo que completei o primeiro quarto da prova em aproximadamente 38 minutos.
A partir daí aumentei o ritmo para 6:30 o km, que me permitiu chegar aos 10 km com 71 minutos. Pela primeira vez fiz uma “meia” sozinho, sem me preocupar em segurar o passo para ficar com algum amigo ou ter que acelerar para acompanhar. Queria fazer “a minha prova” e ver se conseguia um RP.
Pelo tempo que fiz os 10 km, vi que se não acelerasse mais, não tinha como melhorar meu RP, que era de 2h25min na edição passada. Acontece que justamente a esta altura, o sol começou a brilhar timidamente e a temperatura subiu para próximo dos 28 graus. Mesmo assim não diminuí o ritmo e cheguei aos 15 km com 104 minutos, RP para esta distância. Imaginei que se continuasse no mesmo ritmo seria possível conseguir meu objetivo até com certa folga e, quem sabe, abaixo de 2h20min.
Continuei correndo forte até o 18º km, que atingi com 122 minutos. Aí aconteceu o pior. Senti uma fisgada na panturrilha da perna esquerda e constatei que era uma “bendita” câimbra. A tristeza me invadiu, pois a síndrome do 18º km estava me perseguindo, já que foi exatamente nessa distância que “quebrei” por causa de câimbras na minha 1ª Meia Maratona e também na 30ª Corrida cidade de Aracaju.
Depois de ler o texto de Roberta Palma veiculado no dia 07 último, com o título Guerreiros Anônimos, relativo à Maratona de São Paulo, me ocorreu que também poderia tentar fazer alguma coisa por outros corredores da meia maratona, caso houvesse necessidade, de modo que decidi levar comigo uma pequena embalagem de Salicilato de Metila, o velho conhecido Gelol.
Só pode ter sido milagre, haja vista que naquele momento era o que eu mais precisava. Assim, borrifei o remédio algumas vezes na panturrilha e a dor aliviou. Contudo, não havia como manter o mesmo ritmo, pois o medo de “travar” tomou conta de mim. Infelizmente eu estava certo, uma vez que minutos depois a dor voltou. Novas borrifadas, novo alívio, mas ainda tinha surpresa: comecei a sentir também na panturrilha da outra perna.
Faltavam pouco mais de 2 km e a pequena elevação de Ondina, que não chega a ser uma ladeira de verdade, nas minhas condições assustava. Parei para borrifar as duas pernas umas três vezes. A esta altura já havia perdido quase 10 minutos e o RP tinha “ido para o espaço”. Agora a preocupação era se eu conseguiria chegar. Surgiu então um corredor com o mesmo problema e tive então a única oportunidade de ajudar. Depois seguimos juntos, ambos capengando.
Quando cheguei ao morro do Cristo, faltando um km, já estava com 2h25min. A esta altura, nem abaixo de 2h30min eu conseguiria chegar. Não havia mais nada que eu pudesse fazer. Enfim, cruzei o pórtico de chegada com o tempo bruto de 2:34:26 e líquido de 02:32:24.
Cabeça de corredor é impressionante. Depois de ter feito 49 corridas, reconheço que fiz bobagem. Logo eu que vivia alardeando que corria sem me preocupar com tempo, desta vez achei de “inventar” essa história de RP! Iniciei muito leve e depois forcei. Deu no que deu. Espero ter aprendido.
Percalços a parte, no geral foi uma corrida maravilhosa. O reencontro com os amigos, inclusive de outras cidades, as brincadeiras durante o trajeto com corredores (as) desconhecidos (as), quando em alguns momentos brinquei, ora correndo na frente dizendo que era o “coelho” e ora reduzindo para dar força aos que já demonstravam algum cansaço. Uma festa!
Cada corrida tem sua história. Esta foi minha 50ª e precisava deixar uma forte marca. Marcou mesmo!
Até breve…