quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

OFICIALMENTE VELHO

 

Por Leonardo Boff, em 14/12/2008.

Neste mês de dezembro, completo 70 anos. Pelas condições brasileiras, me torno oficialmente velho. Isso não significa que estou próximo da morte, porque esta pode ocorrer já no primeiro momento da vida. Mas é uma outra etapa da vida, a derradeira.
Esta possui uma dimensão biológica, pois, irrefreavelmente, o capital vital se esgota, nos debilitamos, perdemos o vigor dos sentidos e nos despedimos lentamente de todas as coisas. De fato, ficamos mais esquecidos, quem sabe, impacientes e sensíveis a gestos de bondade que nos levam facilmente às lágrimas,

Mas há um outro lado, mais instigante. A velhice é a última etapa do crescimento humano. Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir a existência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar o nosso destino. Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer. Então, entramos no silêncio. E morremos.

A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e, finalmente, terminar de nascer. Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: "Na medida em que definha o homem exterior, nesta mesma medida rejuvenesce o homem interior"(2Cor 4,16). A velhice é uma exigência do homem interior. Que é o homem interior? É o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical. Essa identidade devemos encará-la face a face.

Ela é pessoalíssima e se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe. Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis. Eu, por exemplo, fui franciscano, padre, agora leigo, teólogo, filósofo, professor, conferencista, escritor, editor, redator de algumas revistas, inquirido pelas autoridades doutrinais do Vaticano, submetido ao "silêncio obsequioso" e outros papéis mais.

Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Então, deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos: afinal, quem sou eu? Que sonhos me movem? Que anjos me habitam? Que demônios me atormentam? Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério? À medida que tentamos, com temor e tremor, responder a essas indagações, vem a lume o homem interior. A resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do inefável.

Este é o desafio para a etapa da velhice. Então, nos damos conta de que precisaríamos muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina. Surpresos, descobrimos que não vivemos porque simplesmente não morremos, mas vivemos para pensar, meditar, rasgar novos horizontes e criar sentidos de vida.

Especialmente para tentar fazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhos que nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com os fracassos e buscando sabedoria. É ilusão pensar que esta vem com a velhice. Ela vem do espírito com o qual vivenciamos a velhice como a etapa final do crescimento e de nosso verdadeiro Natal.

Por fim, importa preparar o grande encontro. A vida não é estruturada para terminar na morte, mas para se transfigurar através da morte. Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a última realidade, feita de amor e de misericórdia. Aí, saberemos, finalmente, quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome.

Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: "Contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade".

Alimento dois sonhos, sonhos de um jovem ancião: o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa: "Eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver". Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus. Parafraseando Camões, completo: mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida.

Por Leonardo Boff*
*Teólogo, professor e membro da Comissão da Carta da Terra
Petrópolis, 14 de dezembro de 2008.

domingo, 27 de dezembro de 2009

ORAÇÃO DE ANO NOVO





"Senhor Deus, dono do tempo e da eternidade. Teu é o hoje e o amanhã,o passado e o futuro.

Ao acabar mais um ano, quero te dizer obrigado por tudo aquilo que recebi de Ti.

Obrigado pela vida e pelo amor, pelas flores, pelo ar e pelo sol, pela alegria e pela dor, pelo que foi possível e pelo que não foi.

Ofereço-te tudo o que fiz neste ano, o trabalho que pude realizar, as coisas que passaram pelas minhas mãos e o que com elas pude construir.

Apresento-te as pessoas que ao longo destes doze meses pude ajudar e aquelas com as quais compartilhei a vida, o trabalho, a dor e a alegria.

Mas também, Senhor, hoje quero te pedir perdão.

Perdão pelo tempo perdido, pelo dinheiro mal gasto, pela palavra inútil e pelo amor desperdiçado.

Perdão pelas obras vazias e pelo trabalho mal feito, perdão por viver sem entusiasmo.

Também pela oração que aos poucos fui adiando e que agora venho apresentar-Te.
Por todos meus esquecimentos, descuidos e silêncios, novamente te peço perdão.

Nos próximos dias começaremos um novo ano.

Paro a minha vida diante do novo calendário que ainda não se iniciou e apresento-te estes dias, que somente Tu sabes se chegarei a vivê-los.

Hoje, te peço para mim, meus parentes e amigos, a paz e a alegria, a fortaleza e a prudência, a lucidez e a sabedoria.

Quero viver cada dia com otimismo e bondade, levando a toda parte um coração cheio de compreensão e paz.

Fecha meus ouvidos a toda falsidade e meus lábios as palavras mentirosas, egoístas ou que magoem.

Abre, sim, meu ser a tudo o que é bom.

Que meu espírito seja repleto somente de bênçãos para que as derrame por onde passar.

Enche-me, também, de bondade e alegria para que todas as pessoas a quem eu encontrar no meu caminho possam descobrir em mim um pouquinho de Ti. Dá-nos um Ano Feliz, e ensina-nos a repartir felicidade."

P R E C E D E N A T A L



"Senhor!


Sou como todos. Também tenho os meu pedidos especiais.

Mas não se preocupe! Tenho pouco de novo a pedir.

Tenho, é verdade, muito mais a agradecer. Mas Natal não é Natal se a gente não se ajoelhar diante da tua Sabedoria pra refazer todos aqueles pedidos de que tua Bondade já sabe que a gente precisa.

Olha, dá um jeitinho de acabar com todas as guerras. Essa gente já brigou por tanta coisa!!! Faz com que eles vejam a inutilidade de tanta disputa.

Também tem aqueles que não sabem amar e só odeiam. Faz com que eles entendam que o nosso tempo é tão curto para se desperdiçar com sentimentos menores.

Ah… tem também aqueles que me magoaram.
Faz com que eu me esqueça do que houve e me dá luz e grandeza prá eu aprender a perdoar.

Ainda tem aqueles que se encontram desesperados.
Dá-lhes conforto, um motivo de vida e mostra-lhes a maravilha operada pela palavra Esperança.

Tem aqueles que já são meus amigos antigos.
Para esses eu peço o que sempre pedi: Que eu possa sempre ser o que esperam de mim e, se não o for, que possam entender meus limites.

Agora, tem os meus novos amigos. Para esses, o que eu peço é lindo e grandioso.
Que o milagre que fez a gente se encontrar continue só operando belezas em nossas vidas.

Ah… e tem um alguém especial por quem eu quero pedir.
É alguém que tornou minha vida mais linda e feliz.

Dá um jeitinho desse alguém nunca sumir,
Já que não há como viver sem ter ele por perto.
Que eu possa esquecer as tristezas do ano passado
e, nesta prece, só te pedir alegria.

Faz com que eu possa acreditar que o mundo
pode ainda ser melhor,
E pra isso eu te peço…Fé.
Que assim seja! Amém!

Paz e Bem, sempre!

Colaboração: Maysa Amarante

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Onde está a sua estrela




"

A sensação é sempre a mesma. O ano passou tão rápido.Parece que o tempo anda cada vez mais acelerado. O tempo que sonhamos para nossas realizações futuras parece estar longe e lento. Enquanto isso o tempo vivido parece tão pequeno diante das marcas que ficaram na nossa alma e que estão estampadas em nosso rosto.

Fim de ano.

Natal.

Ano Novo.

Tempo de Reflexão.

Ao menos agora podemos refletir inevitavelmente sobre ele, o tempo. Mais alguns dias e o calendário vai mudar, marcando uma nova volta dada em torno do sol. Viajamos pelo cosmo todos os dias, e muitas vezes mais do que os pés presos ao chão, nosso olhar também não se aventurou na investigação da paisagem celeste. O trajeto se repete a bilhões de anos num universo em constante mudança que nos trouxe e nos levará para algum outro lugar. A trajetória da terra, nave mãe, e dos outros astros continua a mesma. Ainda assim temos o mínimo de conhecimento para entender com clareza para onde estamos indo e por quê.

No entanto, somos portadores de um significado que transcende a ordem cósmica que se sustenta no caos de mais de 100 bilhões de galáxias. Como pontos infinitamente diminutos diante do gigantismo dos corpos celestes, adquirimos grandeza a partir do significado que podemos dar a nossa existência. Por uma força estranha que não sabemos explicar direito, somos parte de tudo que está no ar. Nos sustentamos de maneira mágica.

Se não entendemos quase nada o que nos faz acreditar e continuar? O que faz você acordar do sono para o sonho? Onde está sua razão de viver e buscar respostas?

Cada um pode achar sua estrela guia no lugar onde está. Olhando para o infinito azul do céu ou do mar, na corrente elétrica que conecta cada olhar, e principalmente, nas profundezas de seu ser, há uma estrela a te guiar. Ela pode ter o nome que você quiser dar, Jesus, Buda, Alá.

Esse é o momento de trazer para a superfície da sua mente a memória divina que faz tudo ser presente. Que faz de uma vida inteira, simplesmente um instante onde se realiza a vida de todas as formas, sem conflitos. Em verdadeira plenitude e paz...

Este é o momento de entender que há um propósito maior, e que cada um de nós faz parte dessa grandeza. Assim podemos deixar de ser o fragmento de matéria biológica para ser parte da energia que harmoniza tudo. Da célula mais primitiva e necessária à força que sustenta o sistema solar.

Diante dessa perspectiva, que você encontre o melhor significado para suas derrotas e vitórias, tristezas e alegrias, seu sofrimento e sua felicidade. E inclua na existência o propósito que integrará você a freqüência do bem maior: a magia de viver e ser parte de tudo.

Mensagem da turma do PRIMEIRO PROGRAMA

www.primeiroprograma.com.br

"

FÉ NO FUTURO










O pessimismo pode até evitar que a gente cometa algumas besteiras, mas não leva ninguém para frente. Aliás, não leva a lugar nenhum, porque nos deixa paralisados. E com isso desequilibra a balança da auto-estima. Segundo os especialistas em comportamento, pessoas emocionalmente estáveis, que encaram a vida com esperança, são aquelas que

... não generalizam o que deu errado, achando que são azaradas e que nada mais vai dar certo.

...não vivem se culpando por tudo.

...procuram estar cercadas por pessoas positivas, cheias de energia e que riem bastante.

... concentram-se na solução dos problemas, não nos problemas.
E não se queixam sem motivo.

...sempre olham o lado bom das coisas, direcionando o foco para o que funciona.

...gostam de si mesmas, comemoram e falam sobre suas conquistas com naturalidade.

...não enxergam somente as qualidades alheias. As outras pessoas também não são perfeitas.

...não têm medo de demonstrar amor com gestos e palavras.

...não levam tudo a sério (o bom humor dissipa tensões).

...agem em vez de ficar se lamentando da falta de sorte.

...quando querem alguma coisa, vão à luta e não desistem diante da primeira dificuldade. Nem da segunda, terceira ou quarta.

...são pacientes com os outros e consigo também.

Faça parte desse time, você também!

Acredite.

Por Márcia Lobo – Revista Cláudia, Fev 2005.


Considerações sobre o abraço

Em meio à multidão que se acotovela na procissão no Domingo de Ramos, uma mulher desesperada procura por sua filha pequena. Muitas lágrimas e alguns copos de água com açúcar depois, aparece a menina mais que feliz, abraçada a um mendigo que, frente às evidências, jamais passara pela insólita experiência de um banho. A mulher, minha mãe. A criança desgarrada, eu.

Já vai longe aquela Semana Santa, e essa história que minha mãe contava, me vem à memória quando me acometem considerações sobre as delícias de um abraço.

Abraço. Tantas são as definições. Entretanto, nenhuma delas apreende o real significado dessa troca de energia.

A larga experiência nessa prática, à qual sou afeita e militante. me assegura que não todas as pessoas têm disposição e competência para esse entrelaçamento de corpo e de alma. Dois em um, um em dois, despidos dos pudores sem juízo, inoculados e em nós sedimentados graças à repressão das espontâneas demonstrações físicas de sentimentos e emoções.

Abraço, essa prosaica iguaria afetiva, recurso de partilhamento, intimidade permitida em público, é também eficiente curativo para contusões no ego, tombos da auto-estima, lesões na vaidade, vendaval na vida interior de todas as pessoas. Estreita os laços, amplia a amizade, quebra o gelo, esquenta o clima, esfria os espíritos esquentados. É entrega e aceitação, doação e acolhimento. Abraço é isso, igual em seu contrário.

Que graça teria a vida sem a invenção do abraço?...

Abraço não tem contra-indicação, tampouco efeitos nocivos, apenas os seus adoráveis efeitos colaterais. Abraço não tem preço; custa nada.

E o melhor: está ao alcance dos seus braços. Não é o máximo?!

E aí, tá esperando o quê?...

Mexa-se! Abrace essa idéia e vá abraçar todo mundo!

(Maria Balé, escritora, fotógrafa, possui a estranha mania de ter fé na vida; colunista do www.primeiroprograma.com.br

Riqueza

Muito além do acúmulo de dinheiro ou bens a riqueza é a qualidade que proporciona o preenchimento interior e possibilita o preenchimento das necessidades dos outros.

Enquanto a riqueza material pode diminuir com o gasto, a riqueza espiritual só tente a crescer com o uso. Quando você compartilha sabedoria, amor, alegria e paz, você se sente mais sábio, amoroso, feliz e pacífico. Isso porque, para compartilhar esses sentimentos, primeiro você os sente em seu coração.
E, quando faz com que os outros sintam amor, todo esse sentimento bom volta para você. E assim, o amor vai crescendo, crescendo e aumentando a sua riqueza.